Ponta de São Lourenço - Ilha da MadeiraAbel Zeferino
Ponta de São Lourenço - Ilha da Madeira
Catedral do Funchal - Catedral de Oeiras
Hotel Reid Palace na Ilha da Madeira
Médico visitando pacientes no Funchal
Nos jardins do Hotel Belmonte
Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
Cena de versão cinematográfica (1934) da Opereta "A Viúva Alegre"*
Nogueira Tapety e Miguel Rosa
Funchal
Dormi melhor que as noites precedentes e desci mais cedo. A sala estava cheia. Havia ingleses em todas as salas e em todos os corredores: desde o “fumoir” até a sala de visitas; do salão de jantar ao terraço havia um burburinho terrível produzido pelas mulheres que conversavam toda ao mesmo tempo. Tem-se a impressão de estar numa pequena feira. Puxa, que gente faladora! Há uma bonita inglesita que me chama atenção. Pergunto ao João donde veio tanta gente e sou informado que são passageiros do “Walmar Castle”, que faz viagem à tarde para o Cabo da Boa Esperança. Ao lanche havia pouca gente e ao jantar éramos apenas cinco pessoas no salão ao ar livre, que nunca vi com menos de 16 a 20. Depois do jantar o hotel ficou numa tristeza de cemitério e, pela primeira vez, o senhor argentino falou comigo. Disse alguma cousa em espanhol, que eu respondi em português. Também a nossa conversa foi curta.O Douglas foi embora. Que pena! Já estava tão meu amigo. E vou dormir hoje tendo o fígado um tanto pesado. Calma, calma.
Câmara dos Lobos
Levantei-me cedo e pedi o jornal. Não tem nada que se possa ler sem náuseas: uns versos indignos de um padre idiota e pouca coisa mais; tudo, porém, igual aos versos do padre.
Licores caem bem no invernoO jornal de hoje traz, numa crônica, notícia interessante, mas que só pode ser falsa; irritou muito o pessoal cá do hotel. É o caso que o tal cronista – um sujeito que esteve hospedado aqui – conta ter pago por um banho no Reid’s Hotel 9 shillings (9$ brasileiros, aproximadamente, no câmbio atual).
Almocei bem e ainda estou à mesa quando um criado me previne que. da “Casa Blandy”, avisam existir lá uma ordem a meu favor. – Diga que estou ciente e que mais tarde aparecerei, respondi afetando uma superioridade, um desinteresse e uma falta de precisão que eram absolutamente falsas. Às duas horas desci, recebi o bago e comprei os artigos de que precisava: livros, sabonete, extrato, cigarros etc., voltando a casa antes das 4 horas. Cai uma chuvinha miúda e aborrecida que, felizmente, cessa logo, pelo que, apesar da umidade, resolvo fazer sempre o meu passeio ao jardim. As inglesas não vieram ao banho. Sinto frio, tenho as mãos geladas. Vou ao termômetro e vejo que temos 19 graus à sombra, não há pois motivo para tanto. Janto, e como ainda tenho frio, tomo um beneditino para aquecer. O frio insiste, por isto vou para cama.
Funchal
Em vista de estar muito grande a minha despesa aqui, penso em ir para o Monte, onde os hotéis são mais baratos. Comunico ao Souza e este desaconselha-me e intimida-me. Diz que não devo fazer isto, pois ao Monte faz muito frio, sobretudo agora que vai começar o inverno; diz que dá esta opinião em meu benefício e não tem ele em vista o interesse de ficar eu no “Pálace”; que eu mesmo vejo todo o dia no jornal notícia de pessoas daqui que lá estiveram e que agora vão descendo por causa do frio. Estes argumentos não deixam de me infernizar, apesar de não crer que o Souza tenha real interesse por mim, o que seria absurdo. Resolvo ouvir um médico e decido que seja o Dr. João Ferreira, que se anuncia no “Diário de Notícias” como especialista em doenças de pulmão; como hoje não há mais tempo para isto adio para amanhã. Passo o resto do dia lendo as curiosidades e anedotas do “Almanaque Bertrand”.
Monumento ao General Pinheiro Machado, assassinado no dia 09 de setembro de 1915
Dormi muito. Só às nove me levantei. Não tive mais nenhuma alteração. Sinto-me relativamente mais tranqüilo e disposto. Tomo um banho quente depois do almoço. Vou ao jardim para escolher um sítio onde possa dormir tranqüilamente a sesta, depois do lanche. Volto sem ter encontrado um que me convenha, pois o quero bem ao abrigo do vento. Tomo o lanche e deito-me num sofá lendo o “Almanaque Bertrand” (a que está reduzida minha literatura!).
clique sobre a imagem para ampliá-la
clique na imagem para ampliar
clique na imagem para ampliar
Cristino Castelo Branco e Esmaragdo Freitas
Atribui-se poderes medicinais ao agrião
Em cima: da esquerda para a direita : Leon Tolstoy. capa de seu livro, e Ludvig vo Beethoven
Os afamados bordados da Ilha da Madeira
O famoso Graf Zeppelin
"As Banhistas", de Pierre-August Renoir (1841-1919)
Casa da Campo no Funchal